2006/04/10

Até um dia...

Este dia marca o encerramento deste blog.

Porque o entusiasmo se perdeu e a fonte se esgotou...

Até um dia...

2006/03/24

De pequenino...


Já diz o ditado que de pequenino é que se torce o pepino. Ora digam lá se o miúdo não vai pelo bom caminho...

2006/03/20

Suspeito


Há comportamentos, no mínimo, suspeitos. E ainda dizem que o futebol é um desporto viril...

As Lendas


Para os amantes deste desporto, Bjorn Borg talvez seja o nome mais respeitado da história do ténis. Borg foi o "senhor" de Roland Garros. Borg foi o "senhor" de Wimbledon (o único tenista a lograr ganhar 5 vezes consecutivas este torneio). Os duelos contra Jonh Mcroe eram apaixonantes, imprevisíveis, encantadores. Nos tempos em que o ténis representava uma "arte" - hoje grande parte das partidas e dos torneios ganham-se na potência do serviço , Borg era um mago. Consigo ainda hoje recordar alguns dos momentos mais geniais alguma vez preconizados na história do ténis.

O que distinguia Borg era a inteligência como comandava as partidas do fundo dos courts. Borg mandava no jogo. Fazia correr os adversários e matava a jogada com a autoridade dos génios.

Pois parece que o homem na vida real não teve muito juizinho e agora apresta-se para vender os troféus do Grand Slam ganhos ao longo da sua carreira.

Infelizmente, o desporto foi-nos dando tantos exemplos de lendas que se perderam no auge da fama, por falta de tino - Garrincha, Mike Tyson, George Best.

Já agora, alguém alinha numa "vaquinha"? (Ficava bem um "Roland Garros" no móvel lá de casa).

2006/03/04

Broche de la Pila


Para os apreciadores dos bons prazeres (gastronómicos) da vida, aqui fica uma sugestão de fim de semana: Costillas Barbacoa.

Novas ideias precisam-se...


O mundo anda cada dia mais cinzento. Ele é o problema Palestiano. Ele a política "déja vu". Ele é o sensacionalismo. Ele é o desemprego e a crise financeira. Ele é o "job for the boys". Estamos fartos. Novas ideias precisam-se. Porque não começar já nos urinóis?

Lisboa Menina e Moça


No castelo, ponho um cotovelo,
Em Alfama, descanso o olhar,
E assim desfaz-se o novelo,
De azul e mar.

À ribeira encosto a cabeça,
A almofada, na cama do Tejo,
Com lençóis bordados à pressa,
Na cambraia de um beijo.

Lisboa menina e moça, menina,
Da luz que meus olhos vêem tão pura,
Teus seios são as colinas, varina,
Pregão que me traz à porta, ternura,
Cidade a ponto luz bordada,
Toalha à beira mar estendida.

Lisboa menina e moça, amada,
Cidade mulher da minha vida,
No terreiro eu passo por ti,
Mas da graça eu vejo-te nua,
Quando um pombo te olha, sorri,
És mulher da rua,
E no bairro mais alto do sonho,
Ponho o fado que soube inventar .

Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar.

Ary dos Santos e Paulo de Carvalho

2006/02/24

Poema


Não sei o que fui, ou sou,
não sei para que servem as palavras
guardadas, no beco da memória,
nem os gestos prisioneiros da pirâmide,
que é a história;

e se as palavras não rimam,
pensem que louco sou,
porque sou…

e se o vento glaciar me serena,
e os raios de sol me agitam,
treslouco sou;

gelo que me aquece,
calor que me desatina,
ordem que me desconcerta,
desordem que me alinha…

e para que as tardes da primavera
tragam um sentido à escrita
aqui o poema se encerra
aqui a desordem se edita.

2006/02/23

O grito e a distância...


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

"Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?"

"Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles.

"Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?" - questionou novamente o pensador.

"Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça" - retorquiu outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar: "Então não é possível falar-lhe em voz baixa?".

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:

"Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações se afastam muito.
Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para escutar o outro.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente, porquê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Os seus corações entendem-se. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas. "

Por fim, o pensador conclui dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".

Mahatma Gandhi

2006/02/22

Preconceitos


Foto by Dam

Para nós ocidentais, há em toda esta polémica das caricaturas de Maomet, muito de irracional, de fundamentalismo, de incompreensível. Não conseguimos entender o que move aquelas multidões. Porque se manifestam de forma tão violenta.

Para a maioria dos ocidentais, o problema é simplesmente o fundamentalismo religioso, e a forma como manipula os crentes. A maioria dos ocidentais, respondem a tais manifestações de uma forma redutora - entendendo que está em causa simplesmente a liberdade (de imprensa), campo onde o Estado Democrático Ocidental não pode intervir. No fundo, no fundo, vivemos o trauma de muitas décadas de absolutismo, fascismo e ditaduras.

Na verdade, sou daqueles que concordam que as manifestações são excessivas. Sobretudo, porque tendo as caricaturas sido publicadas em Setembro do ano passado, as manifestações soam a um instrumento de qualquer coisa. É como se alguém, quisesse provocar um choque com o Ocidente e tenha ido recuperar um pretexto a um baú já antigo.

Se as reacções fossem imediatas - provalmente a minha opinião seria diversa. Estas reacções ao retardador soam-me como algo esquisito...

Mas não as desvalorizo, nem subestimo a inteligência de quem as tem.

Não nos julguemos, nós ocidentais, os senhores da razão...

Temos o reverso da medalha...

Há umas semanas, por afazeres profissionais, fui obrigado a viajar até à Argélia. A princípio, torci o nariz...A maioria dos ocidentais associam erradamente o Margrebe, a tradições e hábitos ancestrais e irracionais.

Eu, aqui me penetencio por talvez ter sido um pouco contaminado pelo mesmo preconceito.

Desde então, voltei lá mais três vezes. Aos poucos fui-me dando conta do ridículo preconceito ocidental. A Argélia é um país que se recomenda. Organizado, disciplinado. O Povo poderia dar-nos lições sobre muitas matérias. Sobre o conceito de família. Sobre o valor da união. Enquanto ecoavam os chamamentos para as orações nas mesquitas - cinco por dia- o meu respeito foi crescendo.

As caricaturas são uma questão cultural, sim.

E enquanto nós ocidentais, não fizermos um esforço para atenuaramos o choque cultural, vão existir mais caricaturas. E amanhã não serão só as caricaturas.

Porque quando um Povo se quer indignar e quer queiramos, quer não, tudo tem na sua génese o drama do Povo Palestiniano, basta um pretexto...

Pelo direito fundamental ao disparate...


Foto by Dam

Falta de tempo. Raio do tempo que não estica.

Há um mês que praticamente não entro num blog, nem escrevo uma linha na Caverna. Terão pensado que teria ganho o juízo suficiente para deixar de escrever as banalidades com que venho entretendo os pacientes leitores.

Desenganem-se.

Tenho pululado por paragens distantes, que sempre me vão permitindo enriquecer a minha cultura cosmopolita. Pelo menos, assim o julgo.

Melhor ainda, vão-me concedendo o tempo suficiente para devorar avidamente os livros que se vinham amontoando nas prateleiras da minha biblioteca. Alguns quase velhas relíquias…

Mas aqui estou de volta, qual Fénix Renascida, para voltar a escrever disparates.

Porque sou daqueles que pugnam pelo direito fundamental ao disparate...